travesseiro SA

Ah o papel não é mais o mesmo, a caneta já era e tudo que eu sempre sonhei, navega hoje em mares nunca d'ante navegados. Parece que a responsabilidade puxa de um lado e eu tento, nem sei o que, mas tento.
Adorava escrever e rabiscar, hoje só rabisco, rabisco minhas idéias em um papel de mundo que parece reciclado.
A sustentabilidade do politicamente correto e o avanço eletrônico de minhas entranhas vão compondo músicas estranhas, sem letras, mas cheias de palavras. O verbo, ah o verbo, insiste em ser condicionado, liberdade de deixar a escolha para os outros e reproduzir, como se fosse eu, ou algum produto orgânico da ração humana.
Queria dormir um sono tranqüilo em alguma rede social, e sonhar que o ser humano inverte sua lógica. Nascemos para dormir, dormir é o ofício do ser humano, o inconsciente é nossa meta, nele devemos estudar, trabalhar, amar, e, exatamente por não depender de vontade alguma, ele é imperativo, ele é voz ativa. Acordados, conscientes, nada faz sentido, uma simples publicidade, uma pesquisa, domina as "escolhas" (com aspas maiúsculas), ou seja, desperdiçamos nosso tempo, trabalhando no que deveria ser sono, calmaria, tranqüilidade, e somos vagabundos do inconsciente, preguiçosos do que é bom, do que está dentro da gente e não potencializamos, são os 90% disponíveis da capacidade humana, só pra ilustrar, é possível voar quando dormimos, é muito voz ativa, exatamente porque depende apenas de alguma coisa que mora na gente e tem vontade própria.
Só tem autorização pra dizer que eu estou errado quem já graduou-se em dormir acordado e acordar enquanto dorme, tem que dormir oito horas por dia, usar crachá, ter registro em carteira, ser proativo e trabalhar bem em equipe, língua vale qualquer uma. Depois da labuta, a pessoa precisa descansar, acordando é claro, a primeira coisa à fazer antes de sair de casa é, por o pijama da moda, fazer xixi e escovar os dentes, um chá de camomila também ajuda, bocejar 3 vezes, pra quem acredita, rezar, e pronto aí é só relaxar, no sonho da realidade humana, sonhar que é competitivo, voar no trânsito, tentar fugir da truculência e ignorância alheia, não sentir as pernas quando tenta fugir disso tudo, e claro, ser incomodado pelo monstro do capital bem na horinha que ia conseguir o que quer, e, depois de uma boa noite acordado, voltar para casa, colocar o uniforme, ligar o PC e trabalhar mais oito maravilhosas e cansativas horas.

Thiago Alves Ferreira

 

 

 

sábado 01 outubro 2011 21:44


O antônimo existencial

Logo na chegada eu queria desesperadamente ir embora, quando me deram as chaves decidi ficar.

Os dias passavam e eu reclamava do calor, do frio e da chuva. Não sei o que aconteceu mas de repente reparei na alvorada e no pôr do sol, a noite fria me dava a lua como companhia, a chuva parou de me molhar e tudo que eu sentia eram refrescantes pingos lavando de dentro para fora.

Não tenho como identificar o que aconteceu, mas aconteceu. Eu precisei de outras pessoas para entrar em contato comigo, as tarefas que pesavam no meu ombro, se mostravam como lições e em muitas lições dessas de adulto, pude sorrir como uma criança.

E pode parecer absurdo, mas justo eu já não precisava dos olhos alheios para ser visto; eu abri meus olhos internos.

Todo aquele câncer existencial foi curado, mas só quando eu adoeci. A confusão me deu respostas e eu já estava cansado de perguntar.

A lição mais importante que eu tirei disso tudo foi que na escola da vida só aprendi quando fui reprovado.

Thiago Alves Ferreira

sexta 31 agosto 2007 16:32


A raiva

Hoje eu senti raiva, não dá para fingir que ela não estava ali. Fica bem claro a dificuldade de resolver esse sentimento.

O normal em situação de raiva é agir com a emoção, mas naquele momento eu preferi ouvir os absurdos, a ignorância e os devaneios.

Eu chorei de raiva, sim é verdade. Outra pessoa, qualquer pessoa pode me deixar em estado de raiva. É importante perceber que foi e sempre será um erro; o exercício de buscar a causa e não a consequência ajuda bastante.

O tempo e só o tempo vai tornar esse exercício um hábito, e aos poucos vou aprendendo a me preservar e realmente perceber que a raiva só vale a pena quando motiva ação.

É aquela raiva que me impulsiona de forma racional para frente, que me acorda do estado de inércia.

Agora a raiva que se transforma em ódio só traz ações impulsivas, permite que eu tenha um comportamento inadequado, nocivo e fantasioso.

A real é que não convém me culpar ou ter vergonha por sentir raiva, o que eu vou fazer com ela é o que mais interessa. Eu gostaria de ter um manual de como lidar com a raiva, mas enquanto isso não rola cabe raciocinar antes de agir, e decidir se vale mesmo a pena querer uma solução imediata diante das situações de raiva.

A prática do amor que não tem condições nem direcionamento, pode ser uma boa saída para momentos assim.

Só peço para me lembrar mais desse amor e ir esquecendo a raiva.

Thiago Alves Ferreira

sexta 31 agosto 2007 16:04


Acordo viável.....

Os caminhos, as pessoas, os lugares e eu. Filtrar o que existiu de bom, é uma busca que não termina.

Com o tempo a definição de bom, agradável, vai mudando mas as lições sempre ficam e os ressentimentos também.

O que adianta eu fazer o que você me pede ? se eu não quero fazer. Nessas situações de conflito só o respeito e uma análise honesta podem ter razão.

O fato de fazer qualquer coisa sem vontade sempre é a pior decisão, não entendo qual a dificuldade de cada um ceder um pouco. Porque sempre eu tenho que ceder primeiro ? tudo bem não sou mais inteligente que ninguém mas também não sou mais burro, me devolva a liberdade de decidir o que eu vou fazer.

A sociedade tem cada padrão, cada crença e um jeitinho medíocre de querer moldar a vida dos outros. Posso estar errado, mas nem tudo que acham bom para mim, realmente é.

Esse é um assunto que pede muita cautela e reflexão, pois a forma exterior reflete o interior da gente e não dá para fugir disso, absorver o lado bom e descartar o ruim é bacana, mas eu insisto em inverter essa ordem.

A consequência eu sinto no peito e a culpa não é o melhor dos travesseiros.

O que é real ? o que é ilusão ? o que vale a pena mudar ?

O negócio é pensar antes de agir e mesmo que a resposta razoável demore, ela vem. E enquanto eu acreditar nisso vou alimentando um sistema de convivência mais justo e fica mais fácil me preservar do mundo fora de mim.  

 

Thiago Alves Ferreira

sexta 31 agosto 2007 15:40


Sobrado Geminado

A noite insone pede uma ilustração com humildes letras em tão nobre papel.

A inspiração tendenciosa e malvada procura palavras de ataque ou de defesa, não preciso atacar nem me defender, apenas viver.

E viver não é construir, construir é viver e habitar as construções, eu que não sou engenheiro apenas vivo o momento e prefiro não preferir mais nada.

Nessas passagens da vida já encontrei pessoas de todos os tipos e manias, enquanto prestava atenção nelas fui esquecendo de uma pessoa que era muito importante encontrar, eu mesmo.

E olha que essa brincadeira durou anos e viver meu mundo de ilusões foi bom, mas descobriram o truque e me contaram que aquela mentira não era minha nem de ninguém, ela apenas não existia.

A fórmula era assim, quanto mais ilusão mais sofrimento e quanto mais eu negava esse sofrimento mais forte ele ficava, chegou em um ponto em que decidi não sentir mais nada e consegui por um tempo.

Aí eu mudei de idéia queria voltar a sentir, toda minha vida, toda minha ilusão, toda minha realidade, todas as minhas tristezas e alegrias, todos os meus amores, até dor de cabeça eu queria sentir.

O preço por habitar tanto tempo uma construção feita no alicerce da ilusão foi perceber que eu não determinei nada disso e o que me consola a alma é saber que não vou determinar mais nada. A vida faz isso por mim, só tenho um último pedido, me respeite eu passei por tudo isso e não sou tão inocente assim.

Thiago Alves Ferreira

 

 

 

sexta 17 agosto 2007 19:06


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